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Alterações demográficas e as suas consequências

Uma das realidades que todos reconhecemos é que Portugal é um país demograficamente envelhecido. Os dados disponíveis na plataforma PORDATA que indicam que em 2016 o índice de envelhecimento era de 148,7 % em comparação com o primeiro ano de referência, 1961, em que o índice era de 27,5%. Ora, sabendo que o envelhecimento é um processo natural é importante definir os vários tipos de envelhecimento e as respetivas implicações. Alguns autores referem que o envelhecimento tem três pontos essenciais que o definem:

  1. O envelhecimento biológico como resultado no crescimento exponencial das probabilidades de morrer.
  2. O envelhecimento do contexto social, ou seja, a questões dos “papéis sociais, e às expetativas da sociedade face a este nível etário”.
  3. O envelhecimento psicológico que se refere á capacidade do indivíduo de se autorregular e tomar decisões.

O envelhecimento é, portanto, um processo natural que, se acontecer de forma saudável, permite ao ser humano um ajustamento às capacidades que possui e ao novo contexto social. No entanto este processo nem sempre ocorre de maneira saudável. A par com o processo saudável (senescência) existe também um processo senil de envelhecimento. E a esta realidade alia-se a dependência da parte do idoso de um cuidador. É raro que a prestação de cuidados não afecte o conjunto das redes relacionais. Em consequência de uma nova rotina, a dinâmica familiar sofre alterações, exigindo reajustamentos e mudanças nas relações de poder, dependência e intimidade. É, portanto, absolutamente natural que exista alguma tensão na relação entre cuidador e idoso. Isto porque, para o idoso, a conotação de ser cuidado prende-se com a sua própria incapacidade de realizar determinadas tarefas da vida diária. Para o cuidador informal prende-se com a alteração de relação de poder, que muitas vezes se transforma numa situação de se tornar responsável pelo próprio progenitor. Importa também referir que a relação de dependência vai interferir numa esfera muito pessoal do idoso: a sua intimidade. Isto desencadeia um conjunto de reacções e de resistências que vamos analisar no próximo artigo…. Fiquem atentos!

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Descoberta de uma nova demência: LATE

Uma equipa internacional de investigadores identificou um novo tipo de doença cerebral que imita os comportamentos do Alzheimer. O nome proposto é Late – Encefalopatia TDP-43 relacionada à idade, predominantemente límbica. Esta consiste fundamentalmente numa doença degenerativa que evolui lentamente. Os danos causam problemas de memória e pensamento, semelhantes aos verificados na doença de Alzheimer causada pela acumulação de 2 tipos de proteína- tau e beta amiloide- no cérebro. Acredita-se que o LATE seja causado por outra proteína, a TDP-43, que geralmente está presente no centro das células nervosas, pode mudar de forma e disseminar-se para o corpo das células nervosas à medida que as pessoas envelhecem. Calcula-se que afecte cerca de 20% dos adultos com mais de 80 anos sendo ainda possível que algumas pessoas podem ter ambos os tipos de doença. Os investigadores dizem que isto pode explicar a razão pela qual alguns tratamentos experimentais para a doença de Alzheimer não tenham tido sucesso. Os investigadores pensam que os tratamentos podem ter efetivamente tratado as proteínas que causam danos na doença de Alzheimer, no entanto o LATE pode ter continuado a mascarar qualquer melhoria nos sintomas da doença de Alzheimer. Sendo que atualmente o LATE só pode ser diagnosticado examinando-se os tecidos cerebrais após a morte o principal objetivo dos investigadores é que se desenvolvam formas para encontrar marcadores que permitam diagnosticar o LATE antes da morte, para que os estudos clínicos sobre as suas causas e possíveis tratamentos possam começar. A compreensão desta doença está, ainda, nos estágios iniciais, mas espera-se que no futuro seja possível diagnosticar-se diferencialmente o Alzheimer e o LATE sendo que acontece muitas vezes existirem as duas doenças em simultâneo. Se quiser saber mais sobre este novo tipo de demência leia:

https://academic.oup.com/brain/article/142/6/1503/5481202

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Apoio domiciliário

O envelhecimento daqueles de quem gostamos não tem, necessariamente, de ser um processo doloroso ou stressante.  Como nos é aconselhado no livro “Os meus pais estão a envelhecer” (ver crónica
http://home24.com.pt/os-meus-pais-estao-a-envelhecer/ ) quando se aperceber que o seu pai ou a sua mãe estão a precisar de alguma ajuda pontual nas actividades de vida deve começar a procurar ajuda. Isto porque, a devida antecedência, vai permitir-lhe avaliar a situação e explorar as várias opções. Pode ser necessário apenas um apoio pontual para ajudar nas compras, na confecção das refeições ou até mesmo uma companhia para o período em que o resto da família está a trabalhar. O essencial é ir pensando, com calma, qual é a solução que mais de adequa à necessidade do momento para que mais tarde (quando houver uma deterioração do quadro geral) não tenha de andar a correr em stress para encontrar uma solução e aconteça que a mesma seja desadequada. E é por esta razão que os nossos serviços são tão variados. Porque compreendemos que cada caso é único e cada cliente tem as suas necessidades especificas. A avaliação que por norma é realizada permite, juntamente com o cliente e a sua família, chegar ao número de horas e ao conjunto de tarefas necessárias para o bem-estar do idoso. Somos flexíveis para que o nosso objectivo principal seja cumprido: melhorar a qualidade de vida do cliente. Só através do respeito pela história de vida, pelo espaço e pela rotina do cliente conseguindo, pouco a pouco, melhorar a sua qualidade de vida em parceria com a família é que podemos realmente fazer um bom trabalho.

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Demência

Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

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Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros — cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontre

Fernando Pessoa

Quando se fala em envelhecimento a demência é uma temática comummente associada. Esta define-se, segundo a Organização Mundial de Saúde, como:” uma síndrome que implica a deterioração da memória, do intelecto, do comportamento e a capacidade de realizar actividades da vida diária”. Mais do que definições académicas ou pontos de vista das várias disciplinas importa a realidade. A realidade de se ver o nosso familiar a perder faculdades cognitivas. A realidade de nos enganarmos dizendo que foi só um episódio isolado devido à distracção, ou ao cansaço ou a qualquer outra desculpa que nos sossegue. Muitas vezes negamos a realidade até ser mais do que evidente. E essa negação é natural e perfeitamente compreensível, no entanto é fulcral estar alerta aos primeiros sinais. Porque o acompanhamento de equipas multidisciplinares e a terapêutica adequada podem garantir uma progressão mais lenta e uma melhor qualidade de vida. Para além deste seguimento é essencial que a família possa contar com a ajuda de profissionais que ajudem a promover a manutenção das faculdades. Cuidadores formais e informais com a formação correta e com um conjunto de estratégias para garantir um melhor cuidado promoverão um envelhecimento mais feliz. A Home 24 conta com cuidadoras com formação para apoiar idosos com necessidade deste tipo de acompanhamento e de estimulação cognitiva.

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“Os meus pais estão a envelhecer”

Desde pequenos que precisamos de ser ensinados e orientados e ao longo do nosso desenvolvimento encontramos novos desafios. E essa orientação é, na sua grande maioria, fornecida pelos nossos pais. Com amor, paciência e dedicação vão-nos guiando e ajudando na tomada de decisões. Mesmo quando já saímos do “ninho” muitas vezes voltamos ao “colo” dos nossos pais para nos orientarem, afinal de contas a idade e a sabedoria conjugados com o amor e o zelo costumam dar origem a bons conselhos. Mas, quando aqueles que amamos precisam de cuidados ou já não estão completamente na posse das suas faculdades, a quem é que recorremos para nos ajudar a superar o desafio que o seu cuidado representa? Uma excelente forma é através da leitura acerca do tema. Afinal de contas não seremos os únicos a precisar de cuidar daqueles que nos são queridos. E um dos livros que nos ajuda precisamente a compreender melhor este desafio e a adquirir ferramentas práticas é o “Os meus pais estão a envelhecer” de Maria José Núncio e Carla Rocha da Ideias de Ler chancela da Porto Editora.  Este é um livro com uma linguagem simples e facilmente entendível que, com clareza e humanidade, nos ajuda a saber o que podemos fazer para garantir um melhor cuidado dos nossos pais e uma melhor qualidade de vida. A equipa da Home 24 participou no lançamento no dia 21 de Fevereiro e consideramos que é uma excelente ferramenta para desmistificar ideias e perder receios. Até porque, afinal, ninguém precisa de se sentir sozinho nesta jornada de cuidar daqueles que sempre cuidaram de nós.

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“Velhos são os trapos”

Ao longo da nossa vida somos estimulados a pensar no belo como sinónimo de jovem. As publicidades que passam na televisão e na rádio (essas “velhas” companheiras de tantos idosos) estimulam-nos a olhar para o envelhecimento como um acontecimento a evitar a todo o custo e, por isso, inventam-se cremes para as rugas, elixires rejuvenescedores, tintas para esconder os cabelos brancos e (espantem-se) procedimentos médicos que apaguem as marcas dos anos vividos.  Por tudo isso quando alguém se queixa de dores nas articulações, dificuldade em manter a performance física ou cognitiva atiramos um “estás a ficar velho” em tom de gozo como se isso fosse um acontecimento infeliz. Vai passando o tempo (que é vida) e vemos os nossos pais a perder as capacidades, o vizinho do lado com bengala e aquela senhora simpática do fundo da rua foi para um lar (imaginem só) e por isso adaptamos o discurso para um inteligente e simpático “velhos são os trapos” ou um “não está velho, está mais sábio”. Quando, na realidade, o que temos diante dos olhos é a prova de que aconteceu Vida, de que se viveram aventuras e alegrias que ficaram marcadas naquela ruga ao canto da boca da nossa mãe (que engraçado é igualzinha à da avó!). Chegado o momento de cuidar dos nossos pais fazemos o quê? Deixamos o trabalho para ficar junto deles? Como é que sustentamos os rebentos que temos em casa quando temos de deixar de trabalhar para cuidar dos avós deles? E é aqui que a Home 24 se insere: na resposta a estas perguntas e no cuidado com todo o afecto daqueles que amamos. Porque aqueles que nos amaram uma vida inteira e tanto nos ensinaram merecem ser cuidados com todo o profissionalismo, dedicação, conhecimento e carinho.

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