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Demência e Covid-19

No texto anterior reflectimos sobre a necessidade de desconfinamento dos mais velhos de forma responsável e sensata. Passado um mês podemos ver que, aos poucos, foram reabrindo espaços comerciais, espaços públicos e espaços culturais. No entanto no texto passado não abordamos a seguinte questão: Como é que promovemos um desconfinamento seguro ao nosso mais velho com demência? Em textos anteriores vimos a definição de demência, as suas características e as suas consequências. Se para qualquer pessoa o tempo de confinamento obrigatório foi difícil e a adaptação a novas rotinas foi um grande desafio para uma pessoa com demência este tempo foi ainda mais complicado. Não só pela alteração de rotinas, que vimos anteriormente ser muito importantes para a manutenção das capacidades ainda existentes, mas também pela ausência da visita de familiares abruptamente. A impossibilidade de sair para passear ou de manter   contacto com a comunidade podem ser muito violentas para uma pessoa com demência devido à dificuldade de compreender as razões da sua nova “reclusão”. Neste aspecto é essencial que haja, repetidamente o cuidado de explicar a existência do Covid-19 e as suas consequências. Lembre-se: fale com simplicidade e não sobrecarregue o seu mais velho com muita informação. Posto isto surge o desafio actual: como voltar a sair com o nosso mais velho com demência sem que isso constitua um perigo para o mesmo. Vou deixar algumas recomendações práticas, mas lembre-se: cada pessoa é única e tem especificidades que devem ser tidas em conta. Antes de sair deve certificar-se que o seu mais velho está confortável com a saída. Se o mesmo se mostrar muito relutante e desconfortável com a saída a rua pode levá-lo apenas até a porta de casa e aproveitar para conversar sobre o desconforto. Quando sair certifique-se de que o mesmo não toca em nada ou se tocar ajude-o a desinfetar as mãos e explique-lhe porquê. É importante manter uma vigilância cuidada durante o tempo em que está fora de casa. Mantenha os passeios curtos, mas garanta que são prazerosos para o seu mais velho. De nada vale sair se for à pressa, com muita restrição dos movimentos e se não for relaxante e prazeroso. Quando voltar a casa siga as regras da DGS (ainda que isto lhe tome tempo): Retire os sapatos à entrada de casa, ponha toda a roupa usada no passeio para lavar, se possível ajude o seu mais velho a tomar um banho. É claro que tudo isto requer tempo e paciência, no entanto lembre-se que é absolutamente essencial que este desconfinamento seja feito com calma e de forma relaxada. Lembre-se que o principal objectivo é manter a melhor qualidade de vida possível para aqueles de quem mais gostamos e isso inclui, naturalmente, regressar à vida normal sem que isso seja uma fonte de stress. A Home24 está também a fazer este trabalho com os seus clientes e estamos a disposição para o ajudar nesta fase de transição. A Alzheimer Portugal dispõe também neste link,
https://alzheimerportugal.org/pt/text-0-10-55-471-material-de-apoio-covid-19 ,algumas orientações para estes novos tempos que parecem ser tão desafiantes.

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Sensatez

No passado dia 30 de abril (sexta-feira) ficamos a saber que passaríamos de estado de emergência (o mais gravoso da nossa constituição) para um estado de calamidade pública que nos permitiria um alívio nas medidas restritivas e o início do desconfinamento. É claro que todos nós nos sentimos aliviados por este novo estado, no entanto é essencial manter uma atitude vigilante de proteção. Afinal de contas o Covid-19 não desapareceu e continua a ser um perigo real principalmente para os mais velhos ou doentes crónicos. E é com base nisto que importa que haja sensatez na gestão do desconfinamento dos mais velhos. É verdade que já não há uma obrigação de confinamento para os mais velhos apenas por terem mais de 70 anos de idade, no entanto é importante relembrar que esta doença é especialmente letal para os mesmos por muitas vezes terem outras comorbilidades associadas. Surge, portanto, a pergunta: Então o meu familiar mais velho não deve sair de casa?  Apesar de não haver o certo e o errado em relação ao desconfinamento dos mais velhos há duas questões a ter em conta. A primeira prende-se com o dever cívico de manter o confinamento. Quer isto dizer que apesar de não ser obrigatório manter o confinamento há um dever de continuar em casa por forma a prevenir o surgimento de novos casos. A segunda questão prende-se com o zelo pelo bem-estar físico e psicológico de todos nós e em especial dos mais velhos. É natural que passados quase dois meses de confinamento, com excepção para breves passeios higiénicos, haja necessidade de sair de casa para “espairecer” ou até mesmo para reencontrar a rede social informal (vizinhos, amigos no bairro, etc) com quem se perdeu o contacto. Há também a necessidade de recuperar a capacidade motora que, devido ao confinamento na habitação, se perdeu. A resistência não será a mesma e é importante voltar a caminhar e a readquirir essa mesma capacidade perdida. Poderemos perguntar como é que conciliamos estas duas questões: o dever cívico de confinamento vs a necessidade de desconfinamento. É neste momento que deve prevalecer a sensatez e a prudência. Podemos proceder a um desconfinamento gradual de maneira a que não incumpramos o dever cívico e a que seja garantido que o nosso mais velho tem as suas necessidades atendidas. Por exemplo: O pai gostava muito de manhã ir tomar o pequeno-almoço ao café, onde conversava com os vizinhos e amigos, e ir comprar o jornal à papelaria da esquina onde também já o conheciam tão bem. E enquanto o fazia acabava por caminhar bastante. Como é que podemos regressar a esta realidade sem o pôr em perigo? Podemos sempre simular o trajecto e ir com ele comprar o jornal à papelaria depois de tomar o pequeno almoço em casa. Isto é claro com as devidas protecções e distâncias sociais. Este é um dos cenários, mas também é possível que a pergunta seja a seguinte: O meu familiar mais velho não quer sair de casa porque tem medo. O que devo fazer?   Em primeiro lugar é importante ser compreensivo com o medo que o mesmo está a sentir. Esta é uma questão que deve ser dialogada e nunca forçada. É claro que há questões importantes como as que referi a pouco, mas a vontade do mais velho deve ser respeitada e dialogada até que o mesmo esteja pronto para sair. Há alguns exercícios que podem ajudar a recuperar alguma mobilidade dentro de casa e que ajudam a colmatar a falta de caminhadas no exterior. O mais importante nestas questões é sempre manter a calma, a sensatez e o respeito pelo outro.

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Ficar em casa

Desde dezembro que ouvimos rumores de um novo vírus na china que, inicialmente, afectou apenas 50 pessoas. Para sermos verdadeiros a realidade é que nós, europeus, não ligamos muita importância às notícias que nos chegavam do oriente. Com a grande intensidade de tráfego aéreo, em negócios ou em lazer, este novo vírus chegou, no final do mês de janeiro, a território europeu. A partir dai a OMS declarou, a 11 de março, o Covid-19 uma pandemia. Os grupos de maior risco são os idosos e as pessoas com doenças crónicas e por isso há regras mais restritivas para estes grupos sendo as mesmas descritas no decreto n.º 2-A/2020 resultante da presidência de conselho de ministros. O artigo 4º diz o seguinte: “Ficam sujeitos a um dever especial de proteção: a) Os maiores de 70 anos; (…)2 — Os cidadãos abrangidos pelo número anterior só podem circular em espaços e vias públicas, ou em espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas, para algum dos seguintes propósitos: a) Aquisição de bens e serviços; b) Deslocações por motivos de saúde, designadamente para efeitos de obtenção de cuidados de saúde; N.º 57 20 de março de 2020 Pág. 11-(7) Diário da República, 1.ª série c) Deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras; d) Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva; e) Deslocações de curta duração para efeitos de passeio dos animais de companhia; f) Outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados”. É neste artigo que reside a maior dificuldade de todas: manter os nossos mais velhos em casa. Como o fruto proibido é sempre o mais apetecido agora é o momento em que a grande maioria dos mais velhos quer muito ir passear e andar na rua. No entanto esta é a altura de sermos racionais e de usarmos o bom senso. Caso a residência onde more o seu mais velho tenha jardim podem usar o jardim para fazer uma pequena caminhada e apanhar ar. Se morar num apartamento é possível, segundo o decreto, dar um pequeno passeio. No entanto por uma questão de prevenção o melhor é pensar em actividades que se possam fazer dentro de casa e que estimulem cognitivamente os mais velhos. É imperativo que evitem as notícias todo o dia porque só contribui para o desenvolvimento de ansiedade e nervosismo numa situação já de si delicada. Mantenha o contacto com netos e familiares através da tecnologia disponível e oiça com atenção os medos e os desabafos que possam surgir. É muito importante que não se dê espaço ao surgimento de sentimentos de solidão. O foco principal durante todo este tempo, que ninguém sabe quanto será, é manter a esperança de que tudo isto vai passar. A esperança de que passando esta tormenta daremos mais valor ao estarmos presentes e nos podermos abraçar. A esperança de que continuaremos esta onda de solidariedade e cuidado com o outro porque só assim poderemos ser uma sociedade mais feliz. Deixarei alguns links úteis para lidarmos melhor com esta situação. No próximo texto espero que seja possível escrever sobre o fim de tudo isto até lá fique em casa! 

https://dre.pt/home/-/dre/130473161/details/maximized

http://covid19.min-saude.pt/

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Com quem podemos contar?

No texto passado vimos a importância de a cada início de ciclo, definir novos objectivos. Ficou por responder a quem podem recorrer os mais velhos na prossecução destes objectivos. No fundo o que se pergunta é “com quem podem contar? “. Para responder a esta questão importa olhar para a teoria da vinculação. A vinculação diz respeito a uma ligação que, uma vez estabelecida, tende a ser duradoura assumindo um tempo e espaço próprios (Moreira,2004). Já segundo Bowlby (1990), é vista como algo que possibilita o desenvolvimento da capacidade de estar só; em que o vínculo afectivo bem estruturado representa o alicerce para um desenvolvimento saudável da personalidade. Bee (1996) define a vinculação como variação do vínculo afectivo, onde há a necessidade da presença do outro e uma maior segurança na presença do mesmo. Neste sentido o outro é uma base segura a partir da qual o indivíduo explora o mundo e experimenta novas relações. Bradley e Cafferty (2001, citado por Cookman, 2005) referiram que a vinculação é relevante no processo de envelhecimento em três grandes áreas: (1) prestação de cuidados em caso de doença crónica, (2) luto e lidar com a perda, e (3) adaptação ao envelhecimento e bem-estar na velhice. Acresce que, a consciência de que a vinculação é tão relevante na velhice como noutras fases da vida ajuda a combater estereótipos relacionados com os idosos bem como a subvalorização de certos acontecimentos.  Ocorre, não raras vezes, que idosos cuja saúde está em declínio podem contar com a ajuda contínua de terceiros, como médicos, enfermeiros ou cuidadores formais. Em tal situação, os idosos podem desenvolver relações de vinculação com os profissionais referidos que os ajudam a satisfazer as suas necessidades de conforto e apoio emocional (Cicirelli, 2010). Podem, também, e com o evoluir do tempo, emergir novas relações de vinculação com filhos e netos pelo que, embora o número de relações de vinculação possa não diminuir com a idade, podem surgir alterações no tipo de pessoas a quem o idoso se vincula (Nicole, Doherty & Feeney, 2004, citado por Assche et al., 2013). O conceito de qualidade de vida está relacionado à auto estima e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade , o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. O conceito de qualidade de vida, portanto, varia de autor para autor e, além disso, é um conceito subjetivo dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo. Conclui-se, desta forma, que a vinculação nos idosos é relevante para a sua qualidade de vida (psicológica, mental e social) e que as diferenças individuais, no que concerne aos estilos de vinculação, estão relacionadas com reações distintas aos desafios presentes ao longo do desenvolvimento. Apesar destas noções e da ênfase original de Bowlby sobre a vinculação como um processo de vida, tem-se atribuído pouca atenção à vinculação na velhice, comparativamente a outras etapas do ciclo vital.  Para além dos vínculos que cada um vai formando ao longo do seu ciclo de vida há outra variável muito importante à equação pessoal que permite alcançar a tão desejada qualidade de vida. Estamos a falar, claro está, da personalidade. No próximo texto veremos quais são e que impacto têm no ciclo vital de cada um.

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(Re)Começos

A cada início de ano há uma sensação de oportunidade que nos invade. Ainda que a diferença relativa ao ano anterior seja apenas de alguns dias, sentimos que temos uma nova oportunidade de recomeço. De corrigir o que foi menos positivo, aceitar o que não se pode corrigir e fazer o que ainda queremos fazer. Falamos de objectivos, metas e sonhos. Como se magicamente um mundo de possibilidades se abrisse para nós. Um novo ano é como respirar fundo para continuar o caminho. Mas como é que ao fim de tantos “novos anos” podemos continuar a definir objectivos? De que forma é que, como família, podemos encorajar os mais velhos a manter esta vontade de alcançar novas metas?  Em primeiro lugar é necessário utilizar a ferramenta essencial às relações humanas (de que já falamos tantas vezes): a comunicação. Comunicar vem do latim communicare que significa tornar comum, partilhar, conferenciar.  Este é o primeiro passo: escutar as ambições do outro, os medos, e os sonhos, independentemente da idade de cada um. Este exercício de escuta pode ser feito de forma mais ou menos intencional. Um bom momento para isto é a refeição, em que a família se reúne, que é um momento privilegiado para partilha. Hollywood em 2007 lançou um filme chamado “The Bucket List” que retratava a história de vida de dois homens que, estando internados num hospital em fase terminal, decidiram partir e cumprir todos os objectivos/sonhos que ainda tinham por realizar. Para isso escreveram aquilo que dá nome ao filme: uma bucket list. Em português podemos chamar-lhe de lista de desejos. Não precisam de ser desejos megalómanos podem ser desejos simples como experimentar aquele restaurante ou andar de avião. A principal ideia é que esta lista seja feita em conjunto e que seja realista. Mas porque é que é tão importante fazer este exercício? Pascal escreveu: “Nada é tão insuportável para o homem como estar completamente em repouso, sem paixões, sem negócios, sem diversão, sem esforço. Ele sente o seu nada, o seu desespero, a sua insuficiência, a sua fraqueza, o seu vazio”. (tradução livre de Pascal, the pensees, 1660/1950, p.57). Também Robert. A. Emmons, um psicólogo americano, referiu que “a consecução de objectivos é um marco importante para a experiência de bem-estar. Quando questionados sobre o que contribui para uma vida feliz plena e significativa as pessoas referem, espontaneamente, os seus objectivos, desejos e sonhos para a vida” (tradução livre). Percebendo, portanto, a importância indiscutível da manutenção do hábito de estabelecer novas metas a cada ano fica a questão essencial: de quem é a tarefa de ajudar os mais velhos a fazer esta reflexão? A quem podem recorrer para a planificação do novo ano que inicia? Será apenas ao agregado familiar ou o resto da família também pode ser envolvida? Falaremos disto no próximo texto… até lá!       

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Natal feliz para todos!

Este texto é para si que tem um familiar que vive com demência. Já vimos anteriormente que a forma como se organiza a vida muda drasticamente quando a um familiar é diagnosticada uma demência. Nestes casos a preparação das festas natalícias requer alguns cuidados. Os dois pontos essenciais que qualquer família deve ter em conta são:

  1. As famílias devem planear tudo com antecedência de modo a reduzir a pressão inerente à época.
  2. As famílias devem estar preparadas para que o dia não corra como planearam.

Obviamente o que a família gostaria é que o natal fosse como sempre foi. Mas importa relembrar que há um membro, naquele ambiente, que já não se lembra de como o natal sempre foi e, por isso, é essencial que haja flexibilidade. Por forma a reduzir o desconforto ficam aqui algumas pistas de como gerir melhor o seu natal com uma pessoa com demência.

  1. Para a refeição de natal comece com algo familiar. Isto ajudará a pessoa com demência a saber que a refeição está a começar e o que vai comer de seguida. Ex: entrada, sopa, prato principal, sobremesa.
  2. Certifique-se de que há bastante contraste na mesa e que se vê claramente a comida nos pratos. Isto ajudará o mesmo a identificar a comida com maior facilidade.
  3. Porções pequenas e, se a pessoa já não souber usar talheres, certifique-se de que há algumas opções que se possam comer à mão (entradas e sobremesas). Certifique-se também que a comida está bem confeccionada e macia para que a mastigação seja facilitada.
  4. Mantenha uma boa iluminação e pouco barulho visto que este pode ser perturbador
  5. Se á mesa estiver também o cuidador formal/informal primário aproveite o momento para o substituir. Os cuidadores por regra estão sempre muito cansados e esta é uma excelente oportunidade para os deixar disfrutar de uma refeição descansados.
  6. Durante a refeição envolva a pessoa com demência nas conversas. Recorra aos antigos álbuns de família, vídeos antigos ou objectos que ajudem a pessoa a lembrar-se de eventos passados. Ainda que essas mesmas recordações sejam fragmentadas ou desconexas esta será uma boa forma de a ajudar a juntar-se à conversa e a sentir-se útil. Não se esqueça de usar frases simples e curtas. Se conversar for muito complicado experimente usar música. O uso de música que remeta ao passado como por exemplo músicas que ouviam ou cantavam no natal são uma valiosa ferramenta para envolver a pessoa com demência na conversa com a família. Este esforço vai fazê-la sentir-se integrada e querida.
  7. Mantenha uma sala à parte sossegada para que a pessoa possa ficar caso se sinta assoberbada. Este sentimento pode manifestar-se de diferentes formas e é muito importante ficar atento aos sinais. Ex: irritabilidade, falta de apetite, apatia, etc.

Não é demais relembrar que não se pode pedir à pessoa que vive com demência para fazer algo que a mesma já não tenha conhecimento de como se faz. Se o seu familiar já não sabe como usar os talheres é escusado pedir insistentemente que o faça. Porque criará ansiedade e nervosismo desnecessário e ele não conseguirá cumprir a tarefa. É essencial que seja flexível e que planeie o seu natal tendo em atenção as necessidades desse familiar. Lembre-se que o que realmente importa é a reunião familiar, o conforto e bem-estar de todos. Se não puder fazer tal como sempre foi feito o que importa é que se faça dentro das capacidades de cada um. Ainda que o seu familiar não tenha todas as faculdades mentais procure envolvê-lo no que for possível. Não permita que por cuidado excessivo o mesmo se sinta apenas um espectador passivo das festividades. Porque ainda há muito que o mesmo pode fazer!  Neste natal ofereça o presente perfeito a quem já teve tantos natais…o seu carinho! Boas festas a todos e até para o ano!

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O natal não é só das crianças

No último texto reflectimos sobre a história de vida de cada um e a importância de não só a conhecermos como de a respeitarmos. Vimos também que para muitos as tradições e os costumes são importantes. Aqueles pequenos ritos que “toda a vida foram assim” são de grande relevância na vida dos mais velhos. Tal como reflete Leny A. Bonfim no livro Família contemporânea e saúde: significados, práticas e políticas: “É possível observar uma revolução silenciosa na demografia intergeracional da vida familiar. Há uma maior possibilidade do idoso hoje fazer parte de uma família que inclui quatro ou cinco gerações, com menor número de membros por geração. Além disso, o número de anos assumindo papéis familiares aumentou dramaticamente (…)”. Estas transformações sociais têm influenciado os hábitos familiares, alterando antigos costumes arraigados. Este novo comportamento passa a ser aceite como uma nova cultura, as famílias incentivadas pela sociedade admitem como necessidade que “os mais jovens também precisam de viver a sua vida” ou “os velhos já viveram a sua”. E sobre esta questão é preciso ter algum cuidado.  Não existem fórmulas para um natal perfeito e muito menos existem tipos familiares homogéneos sobre as quais se possam alvitrar soluções ideais. Mas, na dúvida, se precisar de fazer alterações ao que é habitual na forma como o seu familiar mais velho vive o Natal não se esqueça de uma ferramenta essencial: a comunicação. Converse com o mesmo e envolva-o nas decisões. Não o convide apenas para a ceia para que o mesmo não tenha trabalho. Se a sua mãe/sogra/tia/avó está habituada a ser a impulsionadora das festas e organizadora deixe-a participar (ainda que com possíveis dificuldades inerentes ao seu processo de senescência). Porque o respeito pelos elementos mais velhos da família não passa apenas em tê-lo à mesa com um lugar de maior destaque. Passa, antes, pelo respeito pelas suas opiniões e gostos pessoais. Passa, essencialmente, pelo processo comunicativo que lhe diga, entrelinhas, que o mesmo ainda é essencial à realização das festas e em última instância à família. Não permita que por cuidado excessivo o mesmo se sinta apenas um espectador passivo das festividades. Neste natal ofereça o presente perfeito a quem já teve tantos natais…o seu carinho! Boas festas a todos e até para o ano!

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