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O jogo do telefone estragado

Uma das maiores dificuldades e queixas dos dias de hoje, por parte dos mais velhos, é que falam e não se sentem realmente escutados. E não se referem, obviamente, a alguém que os oiça por si só. No âmbito das várias técnicas de comunicação existe uma chamada “escuta activa/empática”.  A International Listening Association (ILA; 2012) define escuta activa como, “o processo de receber, construir significado e responder a mensagens faladas e / ou não verbais”. Rogers formulou a escuta empática como uma técnica comunicativa, que demonstra aceitação incondicional e reflexão imparcial da experiência do outro por meio da paráfrase da mensagem. Levitt (2001) identifica a escuta ativa como uma micro-habilidade que envolve ouvir atentamente e responder empaticamente para que a pessoa se sinta ouvida. A escuta activa consubstancia-se em três principais dimensões: 1) demonstrar envolvimento não verbal; 2) reflectir a mensagem da pessoa que está a ser escutada recorrendo à paráfrase verbal e 3) fazer perguntas que incentive a pessoa a desenvolver as ideias que está a expressar. E como é que podemos pôr esta técnica em prática para melhorar a comunicação com o nosso mais velho? Precisamente através da demonstração de interesse genuíno nas partilhas que o mesmo decide fazer connosco. Uma simples partilha sobre um programa que viu, um filme ou até mesmo uma conversa com a vizinha pode significar muito mais que o que parece à primeira vista. Muitas vezes utilizam o que vêm na televisão como recurso para expressar o que sentem e experiências passadas. É essencial escutar com sentido crítico que ajude a compreender porque é que aquela pessoa nos está a contar aquilo. Questionar-se sempre “porque é que o meu mais me está a contar isto?” e dar seguimento à conversa com interjeições que sustentem o real interesse no tema bem como com uma postura corporal que demonstre o interesse na conversa (sentar-se junto da pessoa ou inclinar-se para a mesma são indicadores de interesse) . Ainda que estejamos cansados e com falta de paciência a simples demonstração de interesse genuíno naquilo que nos estão a dizer pode fazer toda a diferença no bem-estar psicológico dos nossos mais velhos. A solidão é sem dúvida um mal comum que pode muito bem ser colmatado com pequenos gestos e técnicas comunicativas como esta.

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